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A ilha deserta

Certa vez, um homem rico de natureza boa e generosa, queria que o seu escravo fosse feliz. Para isso lhe deu a liberdade e um navio carregado de mercadorias. “Agora você está livre”, disse o homem. “Vá e venda esses produtos em diversos países e tudo o que conseguir por eles será seu.” O escravo liberto embarcou no navio e viajou através do imenso oceano. Não havia viajado muito tempo quando caiu uma tempestade. O barco foi arremessado violentamente contra os rochedos e se fez em pedaços; tudo o que havia a bordo se perdeu. Somente o ex-escravo conseguiu se salvar, nadando até alcançar a praia de uma ilha próxima. Triste, abatido e só, nu e sem nada, o ex-escravo caminhou até chegar a uma cidade grande e linda. Onde as pessoas se aproximaram para recebê-lo, gritando: “Bem vindo! Bem vindo! Vida longa ao rei!” Trouxeram uma rica carruagem, onde o colocaram e escoltaram-no até um magnífico palácio. Lá muitos servos se reuniram ao seu redor, vestiram-no com roupas reais e todos se dirigiam a e…
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A felicidade não esta onde se procura

Nasrudin encontrou um homem desconsolado sentado à beira do caminho e perguntou-lhe os motivos de tanta aflição. "Não há nada na vida que interesse, irmão. Tenho dinheiro suficiente para não precisar trabalhar e estou nesta viagem só para procurar algo mais interessante do que a vida que levo em casa. Até agora, eu nada encontrei." Sem mais palavra, Nasrudin arrancou-lhe a mochila e fugiu com ela estrada abaixo, correndo feito uma lebre. Como conhecia a região, foi capaz de tomar uma boa distância. A estrada fazia uma curva e Nasrudin foi cortando o caminho por vários atalhos, até que retornou à mesma estrada, muito à frente do homem que havia roubado. Colocou a mochila bem ao lado da estrada e  escondeu-se à espera do homem.
Logo apareceu o miserável viajante, caminhando pela estrada tortuosa, mais infeliz do que nunca pela perda da mochila. Assim que viu sua propriedade bem ali, à mão, correu para pegá-la, dando gritos de alegria. "Essa é uma maneira de se produzir felicid…

O homem cuja história era inexplicável

Era uma vez um homem chamado Mojud. Ele vivia numa cidade onde havia conseguido um emprego como pequeno funcionário público, e tudo levava a crer que terminaria seus dias como Inspetor de Pesos e Medidas.



Um dia, quando estava caminhando pelos jardins de uma antiga construção próxima à sua casa, Khidr, o misterioso guia dos sufis, apareceu para ele, vestido em um verde luminoso e lhe disse:


"Homem de brilhantes perspectivas! Deixe seu trabalho e se encontre comigo na margem do rio dentro de três dias".

E assim dizendo, desapareceu. Excitado, Mojud procurou seu chefe e lhe disse que ia partir. Todos na cidade logo souberam desse fato e comentaram:
"Pobre Mojud, deve ter ficado louco". 
Mas como havia muitos candidatos a seu posto logo se esqueceram dele. No dia marcado Mojud encontrou-se com Khidr, que disse:
"Rasgue suas roupas e se jogue no rio. Talvez alguém o salve".
Mojud obedeceu, embora se perguntasse se não estaria louco. Mas, como ele sabia nadar, não …

Isso também passará...

Era uma vez, em um país não muito distante daqui, havia um rei poderoso, governante de muitos domínios. Mas, ele sentia-se um pouco confuso... Então chamou os sábios do reino e disse: "Embora eu não saiba o motivo, algo me impele a buscar algo que me dê força e equilíbrio”.
Os sábios ficaram sem entender o significava das palavras do rei e foram se aconselhar com um Sufi.
Depois de escutar atentamente o que os sábios lhe disseram, o Sufi tirou um anel do dedo e disse:"Entregue esse anel ao rei, sob a pedra do anel há uma mensagem oculta que não deve ser lida por curiosidade apenas, pois assim perderá o seu significado. somente deve ser lida em situação de verdadeira necessidade; quando o momento for de desespero, impossível de ser tolerado. Quando houver confusão total, indefeso, sem saída."
O Rei recebeu o anel e ouviu atentamente as instruções transmitida aos sábios.
Certo dia houve uma rebelião naquele reino e o castelo foi tomado pelos inimigos do rei. Não lhe restou al…

Nasrudin e os sábios

Filósofos, lógicos e doutores em direito, reuniram-se na corte para interrogar o Mulá Nasrudin. Era um caso muito sério, pois Nasrudin havia admitido ter ido de aldeia em aldeia e afirmando que, "os pretensos homens sábios são ignorantes, irresolutos e confusos."

Ele estava sendo acusado de debilitar a segurança do Reino.
"Você pode falar primeiro Mulá", disse o rei.   
"Tragam papéis e lápis", disse o Nasrudin "e seja distribuído para os primeiros sete eruditos".
O material foi distribuído para cada um deles. 
"Que cada um, separadamente, escreva uma resposta para a seguinte pergunta: o que é pão?".  
Depois de algum tempo, os papéis foram entregues ao rei, que os leu em voz alta.  O primeiro estava escrito: "Pão é um alimento." O segundo: "farinha e água." O terceiro: "uma dádiva de Deus." O quarto: "Pão é massa assada." O quinto: "mutável, de acordo com o que se quer dizer com pão."  O …

O Anjo e o Homem Caridoso

Era uma vez, um ermitão que havia passado muitos anos em contemplação e isolamento, esse velho homem recebeu a visita de uma criatura celestial. Sentiu que havia chegado o resultado de sua austeridade e a confirmação de que estava progredindo no caminho da santidade.

“Ermitão”, disse o anjo, “deves ir dizer a certo homem caridoso que foi decretado pelo Altíssimo que, em virtude de suas boas obras, morrerá, exatamente dentro de seis meses e será levado diretamente ao paraíso”.
Maravilhado, o ermitão correu a casa do homem caridoso.
Este, depois de ouvir a mensagem, imediatamente aumentou suas obras, esperando poder ajudar mais pessoas, mesmo que já lhe tivessem prometido o paraíso.
Mas, passaram-se três anos e o homem caridoso não morreu. Continuou seu trabalho.
O Ermitão, porém, sentindo-se frustrado, porque sua predição não havia dado certo; aborrecido, porque afinal, parecia haver sofrido uma alucinação; magoado, já que as pessoas o apontavam na rua como falso profeta, que fingia recebe…

O fim do mundo

Os vizinhos de Nasrudin, de olho grande no seu gorducho cordeiro, ficavam tentando fazê-lo matar o animal para servi-lo num banquete. Plano após plano, todos falharam, até que um dia convenceram-no que o fim do mundo chegaria em vinte e quatro horas. 
"Nesse caso", o melhor a fazer é comer o cordeiro." 
Então, o banquete foi servido.
Após a comilança, tiraram seus casacos e foram dormir. Algumas horas se passaram e, ao acordarem, descobriram que Nasrudin havia jogado suas roupas na fogueira, queimando-as todas.
Explodiram numa onda de raiva. Mas, Nasrudin manteve a calma:
"Meus irmãos, amanhã o mundo vai acabar, lembram-se? para que então necessitam de suas roupas?"