Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Outubro 26, 2008

Um momento no tempo

"O que é o destino?" foi perguntado a Nasrudin por um estudioso.

"Uma sucessão interminável de eventos entrelaçados, um influenciando o outro."

"Não é uma resposta muito satisfatória. Eu acredito em causa e efeito."

"Muito bem. Veja só aquilo", respondeu Nasrudin, apontando um cortejo que passava justo naquele momento.

"Aquele homem está sendo levado à forca. Por que será??? Por que alguém lhe deu uma moeda que lhe permitiu comprar uma faca com a qual cometeu um assassinato? Ou porque alguém testemunhou o crime? Ou foi porque ninguém o impediu de cometer o delito?"

Se Deus quiser

Uma noite, Nasrudin comentou com a sua mulher: "Se chover amanhã, vou cortar lenha; se fizer sol, vou arar a terra."

"Diga 'se Deus quiser', Nasrudin, diga 'se deus quiser'." Advertiu sua mulher.

Ele ficou irritado: "Por que vou ter que dizer 'se Deus quiser'? Com toda certeza farei uma coisa ou outra".

Na manhã seguinte, o tempo estava bom, fazia um lindo dia de sol. Nasrudin saiu para arar a terra, mas quando estava prestes a pegar no arado, começou a chover. Pôs-se então a caminho do bosque para cortar lenha, mas não tardou em cruzar com um homem a cavalo, que lhe perguntou:

"Como se faz para chegar a tal povoado?"

"Não mim pergunte, pois não sei", respondeu Nasrudin e tratou de seguir seu caminho.

Mas, o homem ameaçou-o com um chicote ordenou-lhe: "Pare! vai me levar ao povoado."

Nasrudin não teve outro remédio a não ser trocar de rumo. Acompanhou o homem ao povoado que, por sinal, era muito longe dali.

Qu…

A caçada

O rei, que apreciava a companhia de Nasrudin, mandou chamá-lo certo dia para caçar ursos. Nasrudin ficou apavorado, mas não tinha como escapar dessa.

Quando voltou ao povoado, alguém lhe perguntou:
"como foi a caçada Nasrudin?"

"Fantástica!". Respondeu.

"Quantos ursos você matou?"

"Nenhum."

"Quantos perseguiu?"

"Nenhum."

"Quantos viu?"

"Nenhum."

"Então, como pode ter sido fantástica?"

"Quando se está caçando ursos, 'nenhum' é mais do que suficiente."

Isto por aquilo

Nasrudin foi a uma loja para comprar uma calça. Mudou de idéia e escolheu um manto que custava o mesmo preço. Pegou o manto e saiu da loja.

"Você não pagou!", gritou o vendedor.

"Eu deixei a calça, que custa o mesmo que o manto."

"Mas você também não pagou a calça!"

"E por que eu deveria pagar por algo que não quis comprar?!"

Caiu alguma coisa

Ao ouvir um forte estrondo, a mulher de Nasrudin saiu correndo até o quarto.

"Não precisa se preocupar", disse o Mullá, "foi apenas o meu manto que caiu no chão."

"O quê? e fez um barulho desses?"

"Sim, é que na hora eu estava dentro dele."

O peso da culpa

Um dia, ao voltarem para casa, Mullá Nasrudin e sua mulher encontraram-na assaltada. Tudo o que poderia ser carregado o foi.

"A culpa é sua", disse sua mulher, "porque deveria ter se certificado, antes de sairmos, de que a casa estava trancada."

Os vizinhos bateram na mesma tecla: "Você não trancou as janelas", disse um deles.

"Porque não se preveniu para uma situação como essa?", disse outro.

"As trancas estavam com defeito e você não as substituiu", disse um terceiro.

"Um momento", disse Nasrudin, "certamente não sou eu o único culpado, sou?"

"E quem deveríamos culpar?" gritaram todos.

"Que tal os ladrões?", disse o Mullá.