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Layla e Majnun



Essa é uma história sobre dois jovens. Ela se chama Layla e ele era chamado de Qays. Mas, ficaria conhecido por toda a eternidade como Majnun, “o louco.” ...


Uma noite, Majnun cavalgava errante com seu camelo e de repente avistou um grupo de mulheres lindas, entre elas estava Layla, a mulher por quem Majnun dedicaria o resto da sua existência e bastou um olhar para causar um efeito devastador em Majnun, que se apaixonou perdidamente. Ele acompanhou as mulheres no banquete ao qual elas se dirigiam e ofertou o seu camelo em contribuição para o festejo. Layla também estava apaixonada e Majnun decidiu pedir sua mão em casamento.

Porém, o que eles não sabiam é que o pai de Layla já a tinha prometido para um outro homem e o casamento só não havia sido realizado, porque o noivo, Ibn-el Salaam, achava que Layla ainda era muito jovem.

Ao saber disso, Majnun desespera-se e larga tudo, passando a viver junto aos animais selvagens. Durante esse período escreve poemas sempre exaltando seu amor por Layla. O pai de Majnun, vendo seu filho nesse estado, resolve levá-lo em peregrinação para que ele esqueça de Layla. Mas, Majnun não consegue tirar Layla da cabeça e sua loucura por ela aumenta a cada dia que passa.

O pai de Majnun tenta convencer o pai de Layla a deixar que os dois jovens se casem, mas o pai de Layla está irredutível, pois os poemas de Majnun, agora famosos, são considerados uma afronta à reputação de sua filha...

“Você é a causa de minha dor. Mas o amor que sinto por você é meu único consolo, minha cura. Que estranho, uma cura que traz mais dor! Se você pudesse mandar-me apenas um sinal! Se o vento pudesse tocar seus lábios e conseguisse trazer seus beijos para mim, mas eu ficaria com ciúmes do vento e envergonhado de pedir isso a ele.”

Ibn-el Salaam casa-se com Layla e ao saber disso, Majnun volta a conviver com os animais na floresta, completamente louco, recusando-se a voltar para casa, então o pai de Majnun morre, ao ver o filho nessa situação de penúria...

Apesar de estar casada, Layla jamais esqueceu Majnun e também o ama, ainda mais que antes. Ao saber da morte do pai de Majnun, corre ao seu encontro. Majnun, no entanto está irreversivelmente louco e não a reconhece, apesar de todo o esforço que ela dispende para tentar convencê-lo. 

Ibn-el Salaam, o marido de Layla, morre e Layla agora viúva, precisa seguir a tradição de manter-se incomunicável por dois anos, pelo luto do marido... O amor de Layla por Majnun é maior do que antes e ela não consegue ficar tanto tempo longe do amado... Layla não suporta o sofrimento e morre.

Majnun ao saber da morte da amada, conclui que sem ela o mundo não tem mais sentido, vai ao túmulo da mulher amada e chora, chora, repetindo desesperadamente o seu nome... 

“O tempo passa, mas permanece o amor verdadeiro. A maior parte da vida nesse mundo nada mais é do que uma sequência de ilusões e desenganos. Mas o verdadeiro amor é genuíno, e as chamas que o alimentam sempre queimam, sem fim e sem começo...”

Majnun vai enfraquecendo e finalmente morre, morre de amor e lágrimas derramadas pela morte da sua amada.

*** Essa adaptação foi feita por mim mesmo. A obra original em inglês por Colin Turner, PhD em história islâmica e professor da Universidade de Durham, Inglaterra – mantém a eloquência e a riqueza de imagens dessa ode ao amor perfeito, livre das amarras do tempo e do espaço. Esta é a mais popular história de amor do mundo árabe, o Romeu e Julieta da literatura persa.
**A leitura dessa história inspirou Eric Clapton a compor a canção Layla, uma das mais famosas declarações de amor da história do rock.
*Laila e Majnun - Nizami - A clássica história de amor da literatura persa
(Editora Zahar|2002|184 páginas).