Pular para o conteúdo principal

O Cavalo Mágico

Um rei tinha dois filhos. O primeiro ajudava as pessoas, trabalhando da maneira que elas compreendiam. O segundo era chamado de preguiçoso porque, na opinião de todos, era sonhador.
O primeiro filho recebeu grandes honrarias em sua terra.
O segundo recebeu das mãos de um humilde carpinteiro um cavalo de madeira, e o montou. Porém, o cavalo era mágico. Levava o cavaleiro, se fosse sincero, na direção do desejo do seu coração. Em busca do desejo de seu coração, o jovem príncipe um dia desapareceu em seu cavalo.
Esteve ausente muito tempo e, depois de muitas aventuras, regressou com uma bela princesa que vinha do país da Luz. Seu pai louco de alegria ao vê-lo retornar são e salvo, escutou a história do cavalo mágico.
O cavalo foi colocado à disposição de quem quer que o desejasse naquele país, mas muitas pessoas preferiam os benefícios óbvios oferecidos pela ações do primeiro príncipe porque, para eles, o cavalo continuava sendo um brinquedo. Nunca viram além da aparência externa do cavalo, que não era impressionante nem parecia ser nada mais do que diversão.
Quando o velho rei morreu, o príncipe gostava de brinquedos converteu-se, por mandato do pai, em rei. Mas as pessoas em geral o desprezavam, preferindo a excitação e o interesse das descobertas e atividades do príncipe prático.
Esse país é o nosso mundo. O primeiro príncipe são as coisas deste mundo, que geralmente parecem atraentes, mas que levam o desejo do coração somente ao superficial, ainda que as pessoas superficiais se orgulhem em pensar que não é assim.
O segundo príncipe é o Mestre, que teve ele próprio que aprender.
O cavalo mágico são os meios e o ensinamento.
Muitas pessoas consideram, e consideraram sempre, que seus métodos são simples divertimento.
A não ser que escutemos o príncipe preguiçoso, tenha ele, ou não, uma princesa do país da Luz, nunca enxergaremos além da aparência externa do cavalo.
Por outro lado, se gostarmos do cavalo, não é sua forma externa que vai nos ajudar a viajar rumo ao nosso destino.

Do livro: O Sufismo no Ocidente (Ed. Dervish).